Eu e tu e os nossos momentos de solidão assistida.
O sabor das minhas unhas envernizadas
O teu sorriso no ar que me rodeia, enquanto escreves poemas sobre a morte ainda em vida.
Arsénico, arsénico - dizes tu. Eu digo Absinto.Não consigo deixar de esperar que a vida me traga algo indiscritivelmente satisfatório.Absinto, neste momento sinto-te igual a mim.Seremos iguais?
Dança entre nós o fumo do despender das horas.
Nem eu nem tu, muito menos nós,neste momento.
Penso depressa demais. Penso desfocado. A clareza de todas as coisas ao alcance do teu olhar.
Se eu conseguisse ver o mundo com esse detalhe também me fartaria da vida, certamente.
Ignorance is a bliss.
-Aquilo que penso nem sempre é o que digo, sabes?
Penso que quero ficar nos ramos desta árvore que contemplo no jardim; ficar nas gargalhadas das crianças que, inocentes, não entendem os perigos que se escondem no escuro.
A viagem que faço em mim. Vejo mais que vísceras e plasma. Vejo tanto, no entanto nada. tu consegues ver com clareza o que tenho em mim ?
Tens em ti o caminho para o entendimento do que se passa em mim, para a compreensão do que não raciocino, do que não entendo do que não vejo por detrás da minha máscara.
A nossa solidão assistida.Lado a lado, tão longe.Pensamos na próxima linha, na próxima obra da suprema arte que nós, - só nós - entendemos tão bem.
Mas não nos cruzamos.Cruzar seria tocar e isso não pode ser, isso não faz parte do acordo,não pode ser. A arte de partilhar um olhar. De falar calado de gritar silenciosamente.
A magia incompreensível duma telepatia que julgava não existir, a metafisica da clarividência.
Isto que não pode acontecer, aconteceu sempre que nos olhamos.
E gostava que visses o mundo dos meus olhos. Gostava que te olhasses como se fossem os meus olhos que o fizessem e entendesses assim tudo aquilo que não te consigo dizer!
Que as nossas confissões fossem de facto confissões, que a nossa ambivalência se desvanecesse, que me visses sem máscara, que eu quero ver-te também.
O Platonismo da solidão assistida numa noite de Maio.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
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3 comentários:
muito bom
Ontem estive a reflectir sobre o tempo, sobre a sua ambiguidade. Talvez a convergência de energia que se cria sempre entre as nossas mentes seja fruto do facto de eu já te ter conhecido. Talvez eu venha do futuro.
Gostei muito do texto. E do momento que descreveu.
Prometi dar a minha opinião, e odeio aquelas que ma dão através do msn em vez de a deixarem registada no blog.
Nao sei se foi por estar a ouvir tindersticks - marbles, qu este 2º texto me disse muito, sabes olho para ti e não parece escrito por ti. Ms também eu acho que existe um heterónimo dentro de todos aqueles que têm a escrita como paixão.
E pensei que também devia ter dito a alguns com que já não me cruzo, porque não os toco, que nem sempre lhes disse o que pensava, hummm palavras como elas nos atraiçoam.
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